O Festival de Músicas do Mundo comemora 10 anos, a pedir rumagem com um cartaz cheio de qualidade. Esta é a nossa selecção.
Quinta, 17 de Julho - Bassekou Kouyaté & Ngoni Ba, Mali - 22h00, Sines, Centro de Artes
Premiado nos BBC Radio 3 World Music Awards com Melhor Álbum do Ano e Categoria África. Esta formação é um quarteto de Ngoni (Ba significa grande) uma espécie de alaúde africano.
Sábado, 19 de Julho - Last Poets, EUA - 23h00, Porto Covo
Têm um vídeo algumas entradas abaixo no blog.
Quarta, 23 de Julho - Waldemar Bastos, Angola - 21h30, Sines, Castelo
Quinta, 24 de Julho - Orquestra Baobab, Senegal - 00h30, Sines, Castelo
Uma das orquestras fundamentais da música africana.
Sábado, 26 de Julho - Rokia Traoré, Mali -23h, Sines, Castelo
Dizem que é uma cantora excepcional, já ouvi em disco e não achei. Refiro-me apenas à musicalidade. Vou voltar a tentar.
Podem encontrar o programa completo em http://www.fmm.com.pt/
Friday, June 13, 2008
Wednesday, June 4, 2008
Malangatana na Galeria Valbom
Podem ir ver até dia 30de Junho, Avenida Conde de Valbom 89A.
http://www.galeriavalbom.com/exposicoes.php?id=75
Enquanto os olhos se preparam para ver Malangatana, saciem-se os ouvidos e a imaginação já:
Pensar alto
Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar
fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra
mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer
mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor
enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.
Aqui fica um link com um ensaio sobre a arte na África Oriental e Central, onde se inclui Moçambique.
www.africa.upenn.edu/Smithsonian_GIFS/Ken_text.html
Notícia cortesia de Ana André.
As agências de notícias apresentam uma data de fecho da exposição diferente da galeria. Utilizei a segunda.
http://www.galeriavalbom.com/exposicoes.php?id=75
Enquanto os olhos se preparam para ver Malangatana, saciem-se os ouvidos e a imaginação já:
Pensar alto
Sim
às marrabentas
às danças rituais
que nas madrugadas
criam o frenesi
quando os tambores e as flautas entram a fanfarrar
fanfarrando até o vermelho da madrugada fazer o solo sangrar
em contraste com o verdurar das canções dos pássaros
sobre o já verduzido manto das mangueiras
dos cajueiros prenhes
para em Dezembro seus rebentos
dançarem como mulheres sensualíssimas
em cada ramo do cajual da minha terra
mas, sim ao orgasmo
das mafurreiras
repletas de chiricos
das rolas ciosas pela simbiose que só a natureza sabe oferecer
mas sim
ao som estridente do kulunguana
das donzelas no zig-zague dos ritos
quando as gazelas tão belas
não suportam mais quarenta graus à sombra dos canhueiros em flor
enquanto as oleiras da aldeia, desta grande aldeia Moçambique
amassam o barro dos rios
para o pote feito ser o depositário
de todo o íntimo desse Povo que se não cala disputando
ecoosamente com os tambores do meu ontem antigo.
Aqui fica um link com um ensaio sobre a arte na África Oriental e Central, onde se inclui Moçambique.
www.africa.upenn.edu/Smithsonian_GIFS/Ken_text.html
Notícia cortesia de Ana André.
As agências de notícias apresentam uma data de fecho da exposição diferente da galeria. Utilizei a segunda.
Monday, May 26, 2008
Poesia e Música do Outro lado do Atlântico
A água une. Das margens do Niger e do Congo, mesmo junto ao rio S. Francisco que desemboca no grande delta do Mississipi. Na corrente da música. Ou do trabalho ao sol impiedoso. Queimadas e desbaste de savana, trabalho nas plantações de cana de açúcar ou campos de algodão. Tem que se cantar senão vida fica muito triste, como dizia um senhor cabo-verdiano.
No outro dia regressava da praia, com o corpo quente do sol, luz do fim do dia e o espírito de Gil Scott-Heron entra pela radio. Jose James com "Park Bench People" fazendo uma versão de um original dos Freestyle Fellowship de 1993, no disco "Dreamer" de 2008 . O cúmulo do bem estar despreocupado a acordar com a benevolência comprometida do soul.
Para conhecer Gil Scott-Heron, "The Revolution will not be Televised" (1971).
Last Poets em "Niggers are scared of the revolution" com discurso de Malcom X, de "The Last Poets"(1970)
E por último Linton Kwesi Johnson, "Five Nights of Bleeding".
São o que resta dos trovadores medievais que cantavam em provençal, poucas vezes à janela das raparigas que os castelos eram altos e os arqueiros certeiros. O estilo é soul e hip-hop para os distraídos. Se quisermos ser ainda mais claros é esta a poesia que chega à gente.
No outro dia regressava da praia, com o corpo quente do sol, luz do fim do dia e o espírito de Gil Scott-Heron entra pela radio. Jose James com "Park Bench People" fazendo uma versão de um original dos Freestyle Fellowship de 1993, no disco "Dreamer" de 2008 . O cúmulo do bem estar despreocupado a acordar com a benevolência comprometida do soul.
Para conhecer Gil Scott-Heron, "The Revolution will not be Televised" (1971).
Last Poets em "Niggers are scared of the revolution" com discurso de Malcom X, de "The Last Poets"(1970)
E por último Linton Kwesi Johnson, "Five Nights of Bleeding".
São o que resta dos trovadores medievais que cantavam em provençal, poucas vezes à janela das raparigas que os castelos eram altos e os arqueiros certeiros. O estilo é soul e hip-hop para os distraídos. Se quisermos ser ainda mais claros é esta a poesia que chega à gente.
Sunday, May 25, 2008
Festa Dia de Africa em Odivelas
Ontem, dia 24 de Maio, a RDP África realizou a festa do Dia de África, que se celebra hoje, certamente a pensar num retemperador Domingo para os excessos da festa. Devem ter sido cerca de 40 nomes a passar pelo palco da Quinta da Memória, apresentados pelo incansável Nuno Sardinha. Devia ter começado às 15h, mas havia pouca gente e ainda estavam a espalhar casca de pinheiro para evitar a lama que se formava com a chuva que esteve intermitente ao longo do dia, só voltando mais forte já a noite tinha chegado. Muitas barraquinhas com predominância na gastronomia para Guiné-Bissau e São Tomé. Falta a presença mais forte de Angola, Cabo-Verde e Moçambique. Mesmo assim destaco a sigá de carne de uma barraquinha da Guiné que me deu a descobrir o peculiar paladar do jagatu. No entanto depois de uma chuvada e de se fazer sentir o vento frio, descobri um caldo de peixe com banana pão e um calulu com funge de milho na barraquinha da entrada. Vitória gastronómica para S. Tomé que nem precisava do bolo de de ananás e do bolo de banana para adoçar a boca depois de tanto sabor.
Quanto à música muito playback, justificável pela enorme quantidade de músicos, mas perfeitamente evitável com uma ou duas bandas residentes. As notas de audição a cada actuação normalmente de duas ou três músicas.
Irmãos Verdades - Abertura com a banda africana mais popular no plano nacional.
Gylito - Figura extremamente popular, é um bom comunicador e apresentou-se com guitarra e pouco mais. E canta benzinho (o benzinho é um elogio). Prepara-se para rumar ao Brasil. A Carla fez voz de apoio, maravilhosa como sempre e esperamos um disco dela para breve.
Mingo - Do grupo Canela de Moçambique, à guitarra, encantador. A primeira música em tom ligeiro a falar de coisas sérias "O galo diz para a galinha enche o papo que logo tens forró. Co-co-ri-có." A segunda de "Tupis dos Himalaias e Zulus da Sibéria", um mapa mundo nomadizado.
Cremilde - Voz com raça de S. Tomé e senhora de muita presença.
Kimi Jjabaté - A alma ou o espírito de África, um dos dois, desce a Odivelas com um homem sozinho tocando duas peças em balafon.
Orquestra Super Mama Jombo - Gostei porque tenho um fraquinho pelas orquestras da África Ocidental, mas acho que quem se apresenta perante um público jovem tem que entender que é algo de novo e desconhecido e preparar um reportório a condizer. Serão os meus ouvidos cheios de coisas boas do Senegal, Mali e Guiné Equatorial a exigirem de mais? Talvez.
Refilon - Ora aqui estão rapazes como deve ser. Banda completa, guitarra, viola acústica, baixo, bateria e violino, Cabo-Verde em música bem tocada de roupa nova. Mornas e funanás a soar a fresco numa nova geração.
Bonga - Uma força da natureza e de energia pôs as pessoas todas a dançar e é a prova viva da transversalidade de alguma música através das gerações. Ritmo é ritmo!
Don Kikas - Só o conhecia do espaço reduzido do B. Leza mas é um profissional experiente que animou muito o público.
Três reparos.
Os bancos ocupavam metade do espaço do público e a tentação de subir para eles e impedir a visão do espectáculo é natural.
A promoção do cartaz de músicos devia ter sido mais forte.
Faltaram tambores, percussão, djembés em fúria e batuque. Para o ano convidem as senhoras da Cova da Moura, não é preciso ir a Santiago!
Em suma, um dia com aquela alegria de África que os africanos partilham connosco e que tornam a vida melhor.
Parabéns à RDP África e à Câmara Municipal de Odivelas.
Quanto à música muito playback, justificável pela enorme quantidade de músicos, mas perfeitamente evitável com uma ou duas bandas residentes. As notas de audição a cada actuação normalmente de duas ou três músicas.
Irmãos Verdades - Abertura com a banda africana mais popular no plano nacional.
Gylito - Figura extremamente popular, é um bom comunicador e apresentou-se com guitarra e pouco mais. E canta benzinho (o benzinho é um elogio). Prepara-se para rumar ao Brasil. A Carla fez voz de apoio, maravilhosa como sempre e esperamos um disco dela para breve.
Mingo - Do grupo Canela de Moçambique, à guitarra, encantador. A primeira música em tom ligeiro a falar de coisas sérias "O galo diz para a galinha enche o papo que logo tens forró. Co-co-ri-có." A segunda de "Tupis dos Himalaias e Zulus da Sibéria", um mapa mundo nomadizado.
Cremilde - Voz com raça de S. Tomé e senhora de muita presença.
Kimi Jjabaté - A alma ou o espírito de África, um dos dois, desce a Odivelas com um homem sozinho tocando duas peças em balafon.
Orquestra Super Mama Jombo - Gostei porque tenho um fraquinho pelas orquestras da África Ocidental, mas acho que quem se apresenta perante um público jovem tem que entender que é algo de novo e desconhecido e preparar um reportório a condizer. Serão os meus ouvidos cheios de coisas boas do Senegal, Mali e Guiné Equatorial a exigirem de mais? Talvez.
Refilon - Ora aqui estão rapazes como deve ser. Banda completa, guitarra, viola acústica, baixo, bateria e violino, Cabo-Verde em música bem tocada de roupa nova. Mornas e funanás a soar a fresco numa nova geração.
Bonga - Uma força da natureza e de energia pôs as pessoas todas a dançar e é a prova viva da transversalidade de alguma música através das gerações. Ritmo é ritmo!
Don Kikas - Só o conhecia do espaço reduzido do B. Leza mas é um profissional experiente que animou muito o público.
Três reparos.
Os bancos ocupavam metade do espaço do público e a tentação de subir para eles e impedir a visão do espectáculo é natural.
A promoção do cartaz de músicos devia ter sido mais forte.
Faltaram tambores, percussão, djembés em fúria e batuque. Para o ano convidem as senhoras da Cova da Moura, não é preciso ir a Santiago!
Em suma, um dia com aquela alegria de África que os africanos partilham connosco e que tornam a vida melhor.
Parabéns à RDP África e à Câmara Municipal de Odivelas.
Friday, May 2, 2008
Titina em Lisboa
Titina apresenta o seu novo disco "Cruel Destino" dia 21 de Maio no Teatro da Trindade.
Sunday, April 27, 2008
Maio em Lisboa, entre Bamako e o Rio
Os dois países musicalmente mais importantes do Mundo, o Brasil e o Mali, marcam presença na Cidade Branca, esperemos que cada vez mais preta, em Maio.
Na Culturgest, no Grande Auditório, actua o virtuoso da kora Toumani Diabaté, dia 30 de Maio. A kora é um instrumento da África Ocidental de 21 cordas com um som entre o alaúde e a harpa. Recentemente lançou The Mandé Variations (2008, World Circuit), um álbum a solo. Recomenda-se vivamente Djelika, de (2002, Hannibal) em trio com Bassekou Kouiaté (ngoni) e Keletigui Diabaté(balafon). Oportunidade para conhecer um país com uma rica história musical que remonta ao século XII.
Já agora como uma parte dos primeiros habitantes da Bahia eram malianos, vem aí a filha de um ilustre bahiano, que por acaso ajudou a criar a bossa nova, nativo de Juazeiro, Bebel Gilberto de seu nome. Vem apresentar o seu terceiro disco, Momento (2007, SonyBMG). Nos dias de sol o Tanto Tempo(2000, Ziriguiboom) continua a rodar no meu hi-fi, e se você conseguir manter o mau humor depois de ouvir Bananeira (Gilberto Gil/João Donato), seja realista e desespere , ams não deixe de reparar na produção que inclui uma parte de instrumentos de sopro genial.
Toumani, 30 de Maio, Culturgest
Bebel, 13 de Maio, Aula Magna
Na Culturgest, no Grande Auditório, actua o virtuoso da kora Toumani Diabaté, dia 30 de Maio. A kora é um instrumento da África Ocidental de 21 cordas com um som entre o alaúde e a harpa. Recentemente lançou The Mandé Variations (2008, World Circuit), um álbum a solo. Recomenda-se vivamente Djelika, de (2002, Hannibal) em trio com Bassekou Kouiaté (ngoni) e Keletigui Diabaté(balafon). Oportunidade para conhecer um país com uma rica história musical que remonta ao século XII.
Já agora como uma parte dos primeiros habitantes da Bahia eram malianos, vem aí a filha de um ilustre bahiano, que por acaso ajudou a criar a bossa nova, nativo de Juazeiro, Bebel Gilberto de seu nome. Vem apresentar o seu terceiro disco, Momento (2007, SonyBMG). Nos dias de sol o Tanto Tempo(2000, Ziriguiboom) continua a rodar no meu hi-fi, e se você conseguir manter o mau humor depois de ouvir Bananeira (Gilberto Gil/João Donato), seja realista e desespere , ams não deixe de reparar na produção que inclui uma parte de instrumentos de sopro genial.
Toumani, 30 de Maio, Culturgest
Bebel, 13 de Maio, Aula Magna
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